A herdeira do trono…(parte dois)

Oi gente, tudo bom? 

Não deu para postar este capítulo ontem, pois estava na fazenda, o de hoje eu posto a noite, espero que gostem dos dois:

_________________________________________________________________________________________________________

[…] Ao chegar à sala principal, me deparei com minha irmãzinha mais nova chorando num canto, me dirigi até ela e segurei sua mão macia.

– Não chores. – disse confortando-a. – Papai com certeza está em um lugar melhor, ele partiu com dignidade.

Ela me abraçou e ficamos ali, grudadas uma com outra, nossas lágrimas se misturaram, mas logo tivemos de nos separar. Passei a mão por sobre seus ombros e a levei até a nossa governanta.

– Sirva-nos o café, por favor. – pedi. – E dê um banho nesta garotinha.

– Como desejar, senhorita. – respondeu se curvando. – E meus pêsames, por seu pai.

– Obrigada. – disse.

Entreguei-lhe a minha irmã e sai do salão, fui em direção a Igreja do palácio. Era um lugar lindo, cheio de flores e um lago atravessado por uma ponte de madeira.

Ao entrar na Igreja, o padre já estava lá conversando com algumas freiras, chamei-o baixinho e ele veio em minha direção, me olhava com compaixão.

– O que te traz aqui, senhorita Suzana?

– Você já sabe de meu pai, certo? – perguntei após pedir a benção.

– Sim, infelizmente, já fiquei sabendo. Eu e as irmãs estávamos rezando por ele de manhã cedo. – ele respondeu triste.

– Queria lhe pedir que preparasse os rituais necessários para o velório. – falei segurando as lágrimas.

– Claro. – disse ele. – Estará tudo pronto por volta das três da tarde. Você deveria buscar o corpo.

– Sim, eu irei. – não suportei mais o abracei fortemente e perguntei repetidas vezes: – Por que tinha que acontecer essa tragédia justo com meu pai? Por quê?

– Já estava na hora dele ir, temos de nos contentar, Deus o acolherá em seu reino. – ele respondeu suavemente.

– Obrigada. – disse quando me afastei. – Irei até Olávio agora, preciso pedir-lhe um favor, prepare tudo o que for necessário.

– Vá com Deus, Suzana. – disse ele.

Virei-me e saí da Igreja. Andei por alguns minutos até chegar ao escritório de Olávio, bati no sino da porta umas três vezes, pois ele demorou a atender. Olávio abriu a porta e pediu-me que entrasse e me acomodasse. Sentei-me numa poltrona de couro perto das inúmeras prateleiras do cômodo.

Olávio perguntou o motivo da visita e eu disse:

– Olávio, você sabe que terei de assumir o trono, devido à morte de meu pai, mas eu não quero isso, não é essa minha vocação. Quero viajar pelo mundo, descobrir mundos novos. E eu sei que para isso terei de renunciar ao trono, mas não posso deixar que o Duque e a Duquesa Galias assumam-no. Preciso de sua ajuda. Você é o único que eu posso contar para isso.

– Você está me dizendo que quer abandonar o reino? Você sabe das conseqüências disso, Suzana. O mundo lá fora não é como o aqui de dentro, é um lugar perigoso. Seu pai não gostaria que você fizesse isso. – respondeu-me preocupado.

– Meu pai era um homem sonhador, um verdadeiro aventureiro.  Acho que nunca mais verei tamanha coragem quanta a dele. – falei me defendendo e relembrando quando brincava de espadas com meu pai.

– E se eu te ajudasse, você sabe que as pessoas se revoltariam e iriam contra a família real, isso afetaria sua irmã, Amélia, você quer mesmo isso a ela? – ele explicou tentando me convencer a ficar.

– Eu passei a minha vida trancada dentro deste palácio, Olávio. Quero ser livre, minha irmã gosta de governar, ela completará dezesseis anos daqui a dois anos, poderá assumir o trono, mas eu não tenho gosto por isso. Não consigo me imaginar como rainha. Só lhe peço que consiga manter os duques e a população sossegados até minha irmã ter idade para subir ao trono.  Ajude-me. – eu disse já pronta para pedir de joelhos a ele.

– Está bem. – ele concordou após alguns minutos pensando. – Mas como acha que faremos isso?

– Fale a todos que eu estarei substituído meu pai nos campos de batalha. As pessoas acreditaram. Depois eu irei desaparecer, mas não conte isso a elas antes de eu lhe falar que pode.

– É um bom plano. – concordou ele. – Farei o possível, não lhe garanto nada. Quando partirá?

– Amanhã, antes de o sol nascer.  – respondi.

– Então está tudo certo. Quando o sol nascer amanhã eu anunciarei a população sobre a sua ida. Desejo-lhe sorte, vossa alteza. E sugiro que não conte isso a mais ninguém.  – disse ele.

– Pode deixar.

Eu me levantei e ele me reverenciou.

– Obrigada, mesmo, Olávio. – disse e depois parti.

Fui de volta ao meu quarto, às vezes sendo interrompida por alguém me desejando condolência no corredor, mas eu apenas respondia: “Obrigada.”

Quando finalmente consegui abri a porta, fui direto ao meu armário pegar minhas roupas e sapatos, também peguei jóias e muito dinheiro, na verdade, todo o que eu havia guardado por anos. Peguei meu livro favorito para ler e a coroa de minha mãe planejava pegar a de meu pai durante o enterro. Enfiei tudo dentro de uma mala e fui até a cozinha para pegar suprimentos e medicamentos. Após fazer isso, segui até os estábulos e escolhi o melhor e mais resistente dos cavalos, ele chamava Moreno, devido ao seu pelo. Pedi ao cocheiro que preparasse uma carruagem para a madrugada, ele apenas obedeceu sem falar nada.

Percebi que já era tarde, provavelmente a hora do velório havia chegado, dirigi-me até a Igreja, a maioria da população estava lá. Minha irmã e parentes se encontravam na frente do caixão, Amélia chorava muito, seu rosto estava inchado. Aproximei-me devagar, ao longo do corredor os meus súditos desejavam os pêsames.

Aconcheguei-me ao lado de minha irmã e ali fiquei olhando o belo rosto de meu pai, minhas lágrimas não se seguraram mais e começaram a cair em cima da madeira.

O padre chegou logo após e começou a cerimônia. Quando acabou, os mais honoráveis cavaleiros do reino carregaram o caixão até o cemitério no fundo do palácio. Segui-os, sempre segurando a mão de minha irmã.

Pedi que uma freira guardasse a coroa de meu pai na sacristia e ela obedeceu.

No túmulo todos os familiares, incluindo eu, jogaram lírios, as flores favoritas de meu pai, sobre o caixão. Depois a guarda real tocou trompetes e cantou o hino do reino.  Quando a música cessou, eu tomei a palavra e disse:

– Hoje, não morre apenas um rei, um pai, um amigo e um servo de Deus, morre um herói. Que por nós todos lutou e não nos abandonou até o último suspiro. Quantos mais terão de morrer devido a essa inútil e sem sentido guerra? Quantos mais retornaram ao pó? Quantas lágrimas serão mais derramadas? 

Houve-se um silêncio mortal, minha irmã me olhou triste e sussurrou em meu ouvido:

– Você tirou as palavras de minha boca. Obrigada.

Eu quase disse um adeus a ela, mas me detive, pois sabia que aquilo estragaria tudo. Fiquei ali apenas olhando para a interminável cova que haviam cavado naquela terra abatida e sem felicidade alguma. Enterraram meu pai, meu fiel protetor.

Continua…

Espero que tenham gostado e que acompanhem,

Bjs,

❣ ⓛⓞⓥⓔ ❣

Imagem

 

 

 

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s