A herdeira do trono… (parte três)

Oi gente, já ta quase acabando, én? Mas só amanhã para saber o final. Leiam o capítulo de hoje, abaixo:

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 Já era noite e eu precisava descansar diante de tantos acontecidos e do fato de eu ter de fugir durante a madrugada do dia seguinte. Dei um beijo demorado na testa de minha irmã e desejei-lhe uma boa noite, senti um remorso profundo por saber que não poderia me despedir adequadamente dela, mas sabia que nos reencontraríamos algum dia.

Fui até meu quarto e desabei na cama de tanto sono e cansaço, dormir até as duas da manhã, minha cama me chamava a voltar para ela, mas com muita determinação eu resistir. Vesti a armadura que meu pai deu-me antes de partir a guerra, ainda me lembro daquele dia, ele dissera-me que tudo daria certo e eu acreditara, mas hoje sei que isso não foi verdade.

Desci as escadas sem fazer o menor barulho, encontrei a carruagem me esperando no portão, Moreno era um dos cavalos que a puxavam o outro eu não sabia o nome. Entrei nela e pedi ao cocheiro que me deixasse a pelo menos uns dez quilômetros da cidade, em uma floresta qualquer.

A viagem não foi muito longa, demoramos poucos trinta minutos para atravessarmos o local. Despedi-me dele e aconselhei-o a perguntar para Olávio sobre o que estava acontecendo. Ele fez uma reverência e partiu.

– É amigão, agora só somos eu e você. – disse a Moreno. – Posso montar?

Montei nele que se acostumou comigo rapidamente, comecei a galopar não muito rápido, para poupar as energias do animal. Adentrei a floresta sem nenhum problema, vi diversos bichos e plantas no caminho, o que mais me assustou foi uma coruja parada em um galho de uma mangueira.

Parei em perto de uma cachoeira para pegar um pouco de água e dar de beber a Moreno. Olhei ao redor, quando escutei alguns ruídos por perto, coloquei a mão na baia de minha espada pronta para usá-la se fosse necessária. Assustei-me um pouco ao perceber que quem saiu dos arbustos foi um jovem vestindo um capuz, pelo porte físico presumi ser um cavaleiro.

– Quem é você? – perguntei tentando mostrar superioridade.

Ele levantou a cabeça e seus olhos azuis me fitaram curiosos. Eram como cristais de tão brilhantes. Ele sorriu e se aproximou. Fiquei em posição defensiva, enquanto ele passava a mão em um cacho de meu cabelo.

– O que pensa que está fazendo? – eu gritei fazendo-o parar.

– Acalme-se, não vim até aqui lhe fazer mal. – disse ele, sua voz se mantendo calma e melodiosa.

– Quem é você? – perguntei novamente mais calma.

– Henrique. – respondeu ele com um sorriso. – Mas pode me chamar de Henri.

Ele se afastou e tirou o capuz, tinha cabelos castanhos. Era o homem mais belo que eu já havia visto.

– Se me permiti perguntar, qual é o seu nome, senhorita? – perguntou docemente parecendo estar em algum tipo de brincadeira.

– Suzana. – respondi ainda admirando sua beleza.

– Um belo nome para uma bela dama. – concordou ele tomando minhas mãos nas deles, olhou sobre meu ombro. – Bonito cavalo, é seu?

– Sim. – assenti com a cabeça enquanto sentia o doce frescor do perfume dele.

– Você não é uma amazona, é? – perguntou desconfiado olhando meus trajes.

– Não, sou uma princesa. – respondi após rir.

– Princesa? – ele perguntou duvidoso. – Quanta coragem, não está perdida, está?

– Lógico que não. Na verdade, tenho de me apressar… – ele não me deixou terminar de falar criou uma rosa nas mãos e colocou sobre minha orelha.

Olhei-o espantada e sem ação. Seria ele um feiticeiro ou coisa do tipo?

– Como fez isso? – perguntei encarando-o surpresa.

– Usei o poder de sua imaginação, você ama rosas, correto? – ele me perguntou e eu me surpreendi ao perceber que ele estava certo.

– Como sabe disso? – perguntei desconfiada.

– Sua mente me mostrou. – ele respondeu. – Não posso dizer nada mais que isso.

– Entendo. – concordei misteriosa. – Mas o que traz você até esta floresta?

– Eu estava a sua espera. – respondeu.

– A minha espera?

– Sim, te espero há anos, mas só hoje você finalmente tomou coragem de vir até mim, estou agradecido por isso. – ele disse tocando o meu rosto, sua pele era quente e macia, não parecia nem ser real.

– Eu estou fugindo se você ainda não percebeu. – falei pensando em quantas pessoas loucas existem neste mundo. – Não sabia nem ao menos que você existia.

– Eu sei, sei muito mais do que você sabe sobre si mesma. Sei que é órfã, que tem uma irmã chamada Amélia, mesmo que a beleza dela nem seja comparada a dela, que está fugindo para não assumir o trono por medo de não ser boa o suficiente. Sei que está com um tanto de medo de mim agora, mas isso logo passará. E sei que você é uma pessoa surpreendente.

Acho que eu corei quando ele falou isso de mim, pois senti minhas bochechas ficarem vermelhas. Ele fez um gesto com as mãos e do nada, minha armadura havia sido trocada por um belo vestido perolado, Henri aprovava com a cabeça minha nova roupa.

– Combina mais com você. – disse ele rodando-me.

Por um segundo, senti que podia confiar nele que ele não era uma ameaça, e que realmente, estava a minha espera durante todos estes anos. A segurança que Henri me transmitia era a maior do que todas as que eu havia sentido.

Ele me abraçou se aproximou de meu ouvido e sussurrou:

– Estava cansado de ter de lhe esperar, que bom que você voltou.

Ele me largou e foi até onde Moreno estava, fez surgir maçãs em suas mãos e deu-as ao animal, que relinchou em agradecimento.

– Posso confiar em você como uma pessoa que não vai me matar?- perguntei em voz alta para que Henri escutasse.

– Claro. – respondeu ele parecendo se divertir com a situação. – Ou até mais que isso… Brincadeirinha.

Nós rimos e ele me ofereceu uma maçã, peguei-a e só ai percebi que estava com fome, não havia jantado no dia anterior, me sentei nos pés de uma árvore e Henri se juntou a mim. Olhei para a maçã e perguntei:

– Sério como você faz isso?

– Já disse. Com o poder da imaginação. – disse ele olhando-me e depois sorrindo.

– Você é um cavaleiro? – perguntei olhando suas roupas.

– Digamos que sim. – assentiu ele com a cabeça.

– De um reino inimigo? – perguntei querendo colocar um pouco de distância entre nós.

– Não, apenas luto pelos justos. Não precisa ter medo de mim.

Ficamos paradas ali, olhando o céu até o sol nascer, mal percebi que havia me deitado nas pernas de Henri e que ele mexia em meus cabelos.

– Desculpe-me. – falei levantando-me com vergonha.

– Você não fez nada de errado, para que está se desculpando? – respondeu ele se levantando também e assobiando para que Moreno viesse até nós, o cavalo obedeceu e alguns minutos depois estava a minha frente.

Montei nele sem dificuldade e acariciei-o durantes alguns minutos. Logo depois, Henri assobiou de novo e uma linda égua branca surgiu em meio a incontáveis borboletas.

– Como se chama? – perguntei observando a beleza do animal.

– Lua. – respondeu Henri subindo em uma árvore e depois pulando de lá para montar na égua.

Fiquei impressionada com a sincronia de Henri e Lua, por um milésimo de segundo ele teria caído no chão e provavelmente, quebrado muitos dentes.

– Acho melhor nos apressar, tenho a terrível sensação de que uma multidão de servos raivosos está atrás de você agora. – ele disse olhando para trás.

– Como sabes? – perguntei.

– Acho que a pessoa que lhe trouxe aqui te traiu. Vamos. – ele respondeu começando galopar com a égua.

Eu o segui com medo de ficar para trás.

– Vamos para onde mesmo? – perguntei tentando alcançá-lo.

– Para minha casa, aonde mais iríamos? – ele respondeu olhando para mim e sorrindo.

Percebi o quanto seus dentes eram brancos e aconchegantes. Sorri de volta e disse despreocupada:

– Fazer o quê?

Espero que tenham gostado e confiram o último capítulo amanhã,

Bjs,

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A herdeira do trono…(parte dois)

Oi gente, tudo bom? 

Não deu para postar este capítulo ontem, pois estava na fazenda, o de hoje eu posto a noite, espero que gostem dos dois:

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[…] Ao chegar à sala principal, me deparei com minha irmãzinha mais nova chorando num canto, me dirigi até ela e segurei sua mão macia.

– Não chores. – disse confortando-a. – Papai com certeza está em um lugar melhor, ele partiu com dignidade.

Ela me abraçou e ficamos ali, grudadas uma com outra, nossas lágrimas se misturaram, mas logo tivemos de nos separar. Passei a mão por sobre seus ombros e a levei até a nossa governanta.

– Sirva-nos o café, por favor. – pedi. – E dê um banho nesta garotinha.

– Como desejar, senhorita. – respondeu se curvando. – E meus pêsames, por seu pai.

– Obrigada. – disse.

Entreguei-lhe a minha irmã e sai do salão, fui em direção a Igreja do palácio. Era um lugar lindo, cheio de flores e um lago atravessado por uma ponte de madeira.

Ao entrar na Igreja, o padre já estava lá conversando com algumas freiras, chamei-o baixinho e ele veio em minha direção, me olhava com compaixão.

– O que te traz aqui, senhorita Suzana?

– Você já sabe de meu pai, certo? – perguntei após pedir a benção.

– Sim, infelizmente, já fiquei sabendo. Eu e as irmãs estávamos rezando por ele de manhã cedo. – ele respondeu triste.

– Queria lhe pedir que preparasse os rituais necessários para o velório. – falei segurando as lágrimas.

– Claro. – disse ele. – Estará tudo pronto por volta das três da tarde. Você deveria buscar o corpo.

– Sim, eu irei. – não suportei mais o abracei fortemente e perguntei repetidas vezes: – Por que tinha que acontecer essa tragédia justo com meu pai? Por quê?

– Já estava na hora dele ir, temos de nos contentar, Deus o acolherá em seu reino. – ele respondeu suavemente.

– Obrigada. – disse quando me afastei. – Irei até Olávio agora, preciso pedir-lhe um favor, prepare tudo o que for necessário.

– Vá com Deus, Suzana. – disse ele.

Virei-me e saí da Igreja. Andei por alguns minutos até chegar ao escritório de Olávio, bati no sino da porta umas três vezes, pois ele demorou a atender. Olávio abriu a porta e pediu-me que entrasse e me acomodasse. Sentei-me numa poltrona de couro perto das inúmeras prateleiras do cômodo.

Olávio perguntou o motivo da visita e eu disse:

– Olávio, você sabe que terei de assumir o trono, devido à morte de meu pai, mas eu não quero isso, não é essa minha vocação. Quero viajar pelo mundo, descobrir mundos novos. E eu sei que para isso terei de renunciar ao trono, mas não posso deixar que o Duque e a Duquesa Galias assumam-no. Preciso de sua ajuda. Você é o único que eu posso contar para isso.

– Você está me dizendo que quer abandonar o reino? Você sabe das conseqüências disso, Suzana. O mundo lá fora não é como o aqui de dentro, é um lugar perigoso. Seu pai não gostaria que você fizesse isso. – respondeu-me preocupado.

– Meu pai era um homem sonhador, um verdadeiro aventureiro.  Acho que nunca mais verei tamanha coragem quanta a dele. – falei me defendendo e relembrando quando brincava de espadas com meu pai.

– E se eu te ajudasse, você sabe que as pessoas se revoltariam e iriam contra a família real, isso afetaria sua irmã, Amélia, você quer mesmo isso a ela? – ele explicou tentando me convencer a ficar.

– Eu passei a minha vida trancada dentro deste palácio, Olávio. Quero ser livre, minha irmã gosta de governar, ela completará dezesseis anos daqui a dois anos, poderá assumir o trono, mas eu não tenho gosto por isso. Não consigo me imaginar como rainha. Só lhe peço que consiga manter os duques e a população sossegados até minha irmã ter idade para subir ao trono.  Ajude-me. – eu disse já pronta para pedir de joelhos a ele.

– Está bem. – ele concordou após alguns minutos pensando. – Mas como acha que faremos isso?

– Fale a todos que eu estarei substituído meu pai nos campos de batalha. As pessoas acreditaram. Depois eu irei desaparecer, mas não conte isso a elas antes de eu lhe falar que pode.

– É um bom plano. – concordou ele. – Farei o possível, não lhe garanto nada. Quando partirá?

– Amanhã, antes de o sol nascer.  – respondi.

– Então está tudo certo. Quando o sol nascer amanhã eu anunciarei a população sobre a sua ida. Desejo-lhe sorte, vossa alteza. E sugiro que não conte isso a mais ninguém.  – disse ele.

– Pode deixar.

Eu me levantei e ele me reverenciou.

– Obrigada, mesmo, Olávio. – disse e depois parti.

Fui de volta ao meu quarto, às vezes sendo interrompida por alguém me desejando condolência no corredor, mas eu apenas respondia: “Obrigada.”

Quando finalmente consegui abri a porta, fui direto ao meu armário pegar minhas roupas e sapatos, também peguei jóias e muito dinheiro, na verdade, todo o que eu havia guardado por anos. Peguei meu livro favorito para ler e a coroa de minha mãe planejava pegar a de meu pai durante o enterro. Enfiei tudo dentro de uma mala e fui até a cozinha para pegar suprimentos e medicamentos. Após fazer isso, segui até os estábulos e escolhi o melhor e mais resistente dos cavalos, ele chamava Moreno, devido ao seu pelo. Pedi ao cocheiro que preparasse uma carruagem para a madrugada, ele apenas obedeceu sem falar nada.

Percebi que já era tarde, provavelmente a hora do velório havia chegado, dirigi-me até a Igreja, a maioria da população estava lá. Minha irmã e parentes se encontravam na frente do caixão, Amélia chorava muito, seu rosto estava inchado. Aproximei-me devagar, ao longo do corredor os meus súditos desejavam os pêsames.

Aconcheguei-me ao lado de minha irmã e ali fiquei olhando o belo rosto de meu pai, minhas lágrimas não se seguraram mais e começaram a cair em cima da madeira.

O padre chegou logo após e começou a cerimônia. Quando acabou, os mais honoráveis cavaleiros do reino carregaram o caixão até o cemitério no fundo do palácio. Segui-os, sempre segurando a mão de minha irmã.

Pedi que uma freira guardasse a coroa de meu pai na sacristia e ela obedeceu.

No túmulo todos os familiares, incluindo eu, jogaram lírios, as flores favoritas de meu pai, sobre o caixão. Depois a guarda real tocou trompetes e cantou o hino do reino.  Quando a música cessou, eu tomei a palavra e disse:

– Hoje, não morre apenas um rei, um pai, um amigo e um servo de Deus, morre um herói. Que por nós todos lutou e não nos abandonou até o último suspiro. Quantos mais terão de morrer devido a essa inútil e sem sentido guerra? Quantos mais retornaram ao pó? Quantas lágrimas serão mais derramadas? 

Houve-se um silêncio mortal, minha irmã me olhou triste e sussurrou em meu ouvido:

– Você tirou as palavras de minha boca. Obrigada.

Eu quase disse um adeus a ela, mas me detive, pois sabia que aquilo estragaria tudo. Fiquei ali apenas olhando para a interminável cova que haviam cavado naquela terra abatida e sem felicidade alguma. Enterraram meu pai, meu fiel protetor.

Continua…

Espero que tenham gostado e que acompanhem,

Bjs,

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A herdeira do trono… ( parte um)

Oi gente, tudo bom? Hoje, eu vim divulgar o post da história que havia prometido a vocês, espero que gostem:

A herdeira do trono

Um barulho vindo da porta me acordou. Esfreguei os olhos com as mãos e fiquei me perguntando quem seria àquela hora da noite, levantei-me e fui atendê-la.

Era Olávio, o conselheiro real de meu pai.

– O que foi? – perguntei após um bocejo.

– Más notícias. – respondeu ele tristemente. – Acho melhor se sentar, vossa alteza, isso pode ser um pouco devastador.

As palavras dele atravessaram o meu coração, como lanças, tinha um pressentimento que algum de muito ruim tinha acontecido.  Acendi uma vela e coloquei na mesa de canto do quarto, convidei Olávio a se sentar, sentei-me na outra cadeira. Ficamos nos encarando por um momento até ele dizer:

– Seu pai… – sua voz mal saía- Ele faleceu em combate.

Cai da cadeira, lágrimas escorreram de meus olhos, tentei gritar, mas não conseguia ao menos falar. Um filme de lembranças doces com meu pai passou-se em minha cabeça, era um homem tão bom e justo, como ele poderia ter morrido? Olávio ajudou-me a levantar e me colocou em minha cama.

Eu balançava para frente e para trás sem parar, estava em estado de choque. Reuni forças e perguntei:

– Como assim?

– Ele liderava uma patrulha nos arredores da fortaleza quando eles foram atacados por um grupo de inimigos, seu pai comandou-os até onde pode, mas estava ferido demais, caiu do cavalo e foi atingido por um golpe certeiro. Meus pêsames, senhorita Suzana. Agora tu és órfã.

Senti um calafrio pelo corpo, lembrei-me de minha mãe, ela morreu de uma doença grave quando eu tinha apenas sete anos.

– Preciso de água. – pedi fraca.

Ele trouxe-me um copo, bebi e depois pedi que me deixasse sozinha.

Não consegui dormir o resto da noite, fiquei chorando em silêncio, mau percebi que o dia já raiava e que eu precisava me levantar e providenciar o funeral digno de um rei ao meu pai. Coloquei um vestido de seda preta, trancei meus longos cabelos loiros e amarrei-os com um fitilho preto, calcei sapatos fechados e abri as cortinas do quarto. A luz do Sol fez arder meus olhos. Sai do quarto e comecei a descer as escadas que davam para a sala principal do palácio, sabia que teria de enfrentar as pessoas me desejando condolências a todo o momento e me lembrando de que alguém especial a mim havia partido…

Continua…

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Espero que tenham gostado e que acompanhem,

Bjs,

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